Tenho recebido textos longos e bravos nas últimas semanas por todas as redes sociais com críticas ao termo “Sagrado Feminino”. Críticas ao termo em si, ao que esse “movimento” se tornou nos últimos anos, enfim, à sua banalização, como se tivesse perdido sua pureza original com toda essa popularização. Sabe, eu acho lindo que o sagrado/profano feminino se popularize, crie novas faces, novas formas, até mesmo que se prostitua.
Como assim, que se prostitua, Paula??!!!
Vou te dizer.
Não me incomoda a ampliação e o aparente / ilusório descontrole dos usos e interpretações do termo “Sagrado Feminino”. Vejo todo esse debate / discussão como uma oportunidade de esclarecer mais e ir além na compreensão e no acolhimento das diferenças. Digo das diferenças bem diferentes mesmo, sabe? Principalmente daquelas formas e jeitos que não fazem meu estilo, mas que fazem o de tantas e tantos outros. Vejo como parte do processo de expansão dessa antiga consciência do feminino que vem voltando à luz, renovada, após mais de 3 mil e 500 anos de patriarcado em que a reprimimos nos nossos porões escuros. Podemos aproveitar esse debate sobre o uso do termo, das práticas e dos saberes femininos ancestrais por “qualquer” pessoa, de “qualquer” jeito e a “qualquer” preço (cobrado ou não) como uma oportunidade de compreendermos e acolhermos no outro e em nossos porões escuros as diferenças de estilo, de entendimento, de interpretação, de
comportamento, de forma, de profundidade, de comercialização das trocas ou não… Sem a necessidade de condenar. Veja, não há o que condenar, são só formas. Formas que compõem a diversidade que somos (interna e externamente, individual e coletivamente). A essência do resgate e fortalecimento da energia feminina na humanidade vai tão além das palavras e das formas. É tão sutil e ao mesmo tempo se dá tão mais nas atitudes do dia a dia do que no debate; tão mais na intenção e presença como escolhemos nos relacionar com todos os seres (humanos ou não) que convivem conosco do que nas nossas visões e opiniões humanamente limitadas.
No fundo, lá no íntimo, o que o resgate da energia feminina (que também pulsa nos homens) nos pede é mais acolhimento, equilíbrio entre mente e coração, mais conexão com nossos sentimentos e intuição, menos crítica, mais inclusão… Mais compaixão, mais amor afinal.
Ok, mas como?
É bastante simples na teoria, até porque a mente não dá conta da energia do feminino (yin). Em algum momento essa energia lunática e venusiana vai extravasar por um simples gesto, um olhar profundo nos olhos, um sorriso faceiro, um abraço amoroso, um toque carinhoso, um sinal delicado ou um grito de “basta!”… uma atitude espontânea qualquer inspirada pela alma. Aí então você vai entender. Ou melhor, você vai sentir o sagrado/profano feminino em ação. Vai captar o seu poder.
E quanto ao “sagrado”, pelo amor da Deusa, o sagrado não tem nada a ver com criar mais separações e classificações. Tem a ver com viver a espiritualidade do seu jeito. Somos seres espirituais equipados com um corpo humano e condensados nesses níveis de realidade simbólico, psíquico e físico. Expressamos nossa consciência espiritual na prática, no dia a dia, pelo jeito e intenção com que nos relacionamos com as pessoas mais próximas e com as que nem conhecemos, com as que nos identificamos e com as que não conseguimos compreender… Expressamos nossa espiritualidade pela qualidade de atenção e presença que colocamos no dia a dia que tece nossas vidas por aqui. Sagrada é a oportunidade de estarmos encarnados na dualidade como seres humanos, criadores, experienciando a diversidade e aprendendo sobre o amor em suas infinitas formas… e além…

Ahá!

😉

Paula Diniz

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